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O MÉDICO E A SOCIEDADE

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


                                         Avenor Augusto Montandon

 

Fui chamado para avaliar um caso grave na Santa Casa. Tratava-se de uma urgência que indicava necessidade de cirurgia, na linguagem médica – abdome agudo cirúrgico. Eram 30 minutos passados de meia noite do dia 2 de junho. Fazia frio e já estava dormindo desde 23:30. Movido pelo dever, mas sem deixar de protestar pela falta de sorte daquela urgência àquela hora, me desloquei para o hospital na madrugada fria e silenciosa.

Normalmente nós, os médicos, quando chamados para esses casos não podemos fazer nenhuma previsão de quando estaremos de volta à casa. Pelas informações passadas, pelo telefone pela enfermeira da noite, tinha já a expectativa de trabalhar quase toda a madrugada. A famosa “calada da noite” me confirmaria a minha expectativa. Só retornei para casa com os primeiros sinais da alvorada. Havia sido um árduo trabalho, uma grande cirurgia com grandes desafios.

Passa pela nossa cabeça, nessas jornadas, um emaranhado de questionamentos técnicos, profissionais e até ideológicos.

Enquanto procedemos aos passos da cirurgia somos obrigados a uma concentração extenuante. Não nos é concedido qualquer vacilo sob pena de por em risco a vida daquele paciente. Temos que estar absolutamente atentos e obstinados à solução daquele problema. Não raro somos obrigados a tomar apenas medidas paliativas por não haver nada que se possa fazer e isso traz a nós os médicos cirurgiões uma profunda sensação de impotência e frustração. Sairmos da sala de cirurgia como vencidos. Perdemos a luta!!

Enfermagem , velhice e perspectivas

terça-feira, 27 de setembro de 2011



Enfermagem , velhice e perspectivas
Ana Eugênia L. Hollanders de Moura


Trabalhar na área de saúde-Enfermagem é lidar com vidas, vidas humanas importantes, frágeis e insubstituíveis. 
     É atuar com indivíduos saudáveis, outros com deficiências orgânicas e/ou mentais, alguns com limitações ou totalmente dependentes, e ainda, trabalhar com  outras equipes  e  profissionais.
É um segmento extremamente rico em oportunidades, onde o leque destas oportunidades tem aumentado com o passar dos tempos, diferente de tantas outras profissões.
O avançar constante e acelerado da tecnologia voltada para a manutenção da vida, controle de doenças, interferência nas limitações causadas por essas e ainda, o aumento da expectativa de vida tem colaborado para o crescimento no campo de trabalho desta área em seus vários segmentos, e a cada dia novas portas se abrem, e estas precisam ser ocupadas de forma eficiente.
As exigências relativas aos profissionais inseridos e a serem inseridos neste mercado de trabalho, como temos visto, também estão cada vez mais rigorosas e seletivas, exigindo dos profissionais conscientização das condições política, sociais e culturais, humanização no atendimento, acompanhamento diário das mudanças em tratamentos, conhecimento da tecnologia aplicada à área, adequação a informatização dos processos de trabalho, entre tantos outros.
Ao mesmo tempo, a mídia tem nos mostrado muitas cenas de profissionais da área de saúde trabalhando em ambientes pouco propícios a tratamentos, com sobrecarga de jornadas, tarefas e funções, onde a desvalorização do profissional apresenta-se na forma da cobrança do trabalhar muito nas condições que se apresentem, do “dar conta” do serviço sem importar-se com a qualidade deste, na economia de mão de obra com equipes reduzidas ao mínimo ou ainda abaixo deste, na imposição a estes profissionais de duplas ou triplas jornadas devido a salários há muito não condizentes com o razoável em prol de ganhos monetários, tudo isso podendo resultar em erros e “maus tratos” aos nossos clientes/pacientes/ amigos / familiares, por profissionais oprimidos por sistemas centenários ainda visando lucro e não o cuidado humanizado, a valorização da vida e do profissional.
Trabalhar na enfermagem é abraçar uma profissão que cuida de vidas, e vidas de indivíduos que são queridos e importantes para alguém. É uma profissão que deve ser respeitada e valorizada, devendo haver uma mobilização dos profissionais e dos órgãos competentes (Conselhos de Classe), políticos, representantes da sociedade para uma revisão na legislação e fixação de piso salarial compatível com a responsabilidade de nossas funções para com o cuidado com o ser humano, para evitar que condições desrespeitosas que propiciem a erros e desrepeitos continuem acontecendo.
Numa população que avança em idade e com o chegar desta ocorre, pelo seu próprio processo de envelhecer, alterações biológicas, psicológicas e sociais podendo muitas vezes resultar em doenças, muito trabalho nos aguarda, não somente no cuidado ao individuo com comprometimento da saúde, mas na prevenção da doença, na preservação da qualidade de vida do ser humano e do ambiente em que esta inserido.
Novas políticas de saúde voltadas para este amplo cenário se apresentam, devemos então, voltar nossos olhos para o futuro da nossa população, hoje compreendida em 16 milhões de indivíduos com idade superior a 60 anos, e com uma perspectiva de vida ainda maior.
O envelhecimento saudável é a aspiração de qualquer individuo, nas mais diferentes culturas, mas, não basta somente querer envelhecer, temos que ter condições de envelhecer com qualidade de vida.
Qualidade de vida significa manter relacionamentos interpessoais,  estar inserido em um ambiente acolhedor, aconchegante, confortável e seguro, ter saúde e equilíbrio emocional, fazer uso de  experiências e saberes adquiridos com o passar dos anos, ter autonomia, manter sua intimidade, ter direito ao afeto e carinho, ter acesso a informações e conhecimentos, usufruir de todos os períodos de lazer, manter interação social, o desenvolvimento de hobbies e interesses, ter bens materiais, trabalhar com prazer, ter vida sexual ativa, ser reconhecido como individuo e profissional, ter acesso a serviços de saúde individuais e coletivos.
Segundo estatísticas, no Brasil a cada ano acrescentam-se 200 mil pessoas maiores de 60 anos (MS, 2005), mas segundo o IBGE,   o  numero de idosos passará de  32 milhões em 2025 o que corresponderá a 15 % de nossa população total.
A enfermagem deve voltar-se também para o cuidado a estes indivíduos com mais de 60 anos e ainda com os que caminham para esta melhor idade, promovendo ações e  assumindo patitudes para valorização do idoso, para a preservação de sua identidade , experiencia e cultura, a manutenção de sua autonomia, independência e dignidade além do cuidado com saúde, a diminuição de possíveis limitações (próprias ou não do processo de envelhecer).
Mudanças de valores devem ser avaliadas, a valorização do idoso, seus saberes, suas experiências devem ser celebradas.
A enfermagem deve trabalhar para que, em um mundo caminhando para um maior numero de idosos que jovens, que estes idosos possam ser respeitados como seres humanos que são, que suas limitações sejam compreendidas e respeitadas, que nossas crianças e nossos jovens possam compreender que não somente a juventude deva ser valorizada, e como o futuro esta ancorado no hoje, se não valorizarmos/preservarmos a identidade do idoso de nossos dias, assim ocorrerá em nossa velhice, à velhice que tanto tememos hoje.

PALAVRAS FINAIS

Que bons ventos te tragam sempre...
e que bons ventos te levem...

mais leve, feliz,

tranquilo e

em paz!

Grande abraço!

Ana Eugênia


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