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João, simplesmente João

domingo, 8 de julho de 2012

Ana Eugênia Loyolla Hollanders de Moura

Isso mesmo, João... simplesmente João.
 Acidente chegando, vindo da Br 262, próximo a Ibiá-MG.
Trabalhava em um Pronto Socorro básico, e nos chega um acidentado, muito ferido, mas ferimentos aparentemente sem gravidade, sem acompanhantes, sem identidade, sem qualquer documento.
É atendido e em sua ficha de primeiros socorros identificado como "desconhecido", mas isso não importava para o seguimento do cuidado da equipe do plantão.
Iniciamos nosso trabalho: feitas limpezas, suturas, medicação, sondagens... tudo o que se fez necessário. Avaliação da consciência: paciente em coma. Parâmetros vitais dentro da normalidade. Somente não acordava, não mexia, nada além de respirar, respirar, respirar.

Estágios... sempre surpresas ...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

  Ana Eugênia Loyolla Hollanders Moura
 
Certo dia, absurdamente tranquilo, estavamos sentados na recepção do Pronto Socorro conversando e aproveitando para observar as pessoas que se encontravam aguardando chamado para consulta médica. Sempre, nestes momentos, tentamos imaginar o motivo de cada pessoa ali, pois alguns estão batendo altos papos, outros namorando, outros cantarolando ou só observando-nos com cara de desaprovação, poucos com face de dor ou de mal estar.
Nesta tarde, estavamos com equipe completa e acrescentada com estagiárias de enfermagem e instrutora, que no momento, por não haver qualquer paciente grave, estavam na sala de medicação, atendendo a demandas das consultas de rotina .
Quando ocorrem estágios de enfermagem, a supervisão destes é sempre feita por profissional enfermeiro(a) designado pela instituição de ensino a que pertencem, mas cabe a enfermeira do setor (instituição cedente) a responsabilidade pelos atos da equipe de enfermagem e estagiarios e, quando acontecem problemas ou na suspeita destes, somos acionadas pelos demais profissionais para saná-los.
Assim sendo, fui solicitada por um de meus funcionários com a seguinte frase:
- "Vai lá ver o que está acontecendo, você nem vai acreditar..."
Mais por curiosidade que por urgência do pedido, fui à sala da medicação.
Chegando lá, encontro a instrutora dos alunos, com uma agulha calibrosa em um frasco de medicação, muito brava, reclamando para seus alunos que não conseguia aspirar o conteudo deste.
Fiquei a observar alguns instantes, sem acreditar no que via e junto comigo, várias funcionárias do setor. Olhavamos umas para as outras sem saber se riamos, se choravamos....

 A instrutora tentava, compulsivamente, aspirar o pó contido no frasco, e optei por aproximar-me desta e  perguntei, baixo e calmamente:

Engasgo

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


Engasgo
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders


Uma tarde das mais tranquilas, em instituição de cuidados a idosos, durante horário de lanche, estavam servindo pãozinho e após bananas, que eram de preferencia da maioria deles.
Entre conversas e brigas dos internos, por mais uma dessa iguaria, fomos chamados ás pressas, pois uma das moradoras estava engasgada.
Corremos, pois a maior parte de nossos internos apresentava problemas psiquiátricos, além da idade avançada, e engasgo tornava-se constantemente urgência.
Encontramos uma das senhoras, discretamente roxa (cianótica), com respiração ruidosa, já confusa (pela carência de oxigenação).
Solicitamos que esta (apesar da pouca compreensão), nos ajudasse com a manobra (Manobra de Heimlich) para desengasgar, quando vem um dos outros profissionais de saúde, gritando :
- “Levanta o braço, levanta o braço...”
Continuamos tentando fazer a manobra, mas a paciente estava muito roxa, e já começando a perder os sentidos, e a outra profissional gritando e tentando puxar o braço da paciente.
Solicitamos uma ambulância, ao então serviço de urgência da cidade, deitamos a paciente e tentamos fazer o possível para melhorar sua respiração, mas a colega da equipe  insistia em solicitar que levantássemos o braço, pois o que desceu errado, voltaria para trás...
Chega a Dra responsável pela instituição e com a paciente já deitada, realiza a entubação traqueal...
Iniciamos a ventilação até a chegada da ambulância e esta foi conduzida ao Pronto Socorro, e depois sendo necessária a internação, onde permaneceu algum tempo.
Quando retornamos a instituição, após deixar a paciente no hospital, nossa colega, de forma agressiva, vem tirar satisfações, alegando que se tivéssemos levantado o braço da paciente, nada disso teria acontecido, pois São Brás teria ajudado, e não é que, de tanto nervosismo e agitação, esta engasga-se também...
Tentamos ajuda-la, conforme ela mesma solicitava muito agitada, levantando-lhe os braços, mas de nada adiantava... Continuava a piorar ...
Após alguns instante, com esta colega já ficando cianótica, um de nossos colegas da enfermagem, homem forte e grande, pega a funcionária engasgada por trás e faz  a manobra (Heimlich), e qual não é nossa surpresa ao ver a saída de uma bala de goma ( tipo jujuba) a ser expelida com a compressão.

Depois de recuperada, ela procura-nos e, ainda agitada, agradece:
-“Pois é colegas, obrigada pela ajuda, acho que minha fé não anda lá essas coisas...”
Acontece...

Confiança

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Confiança
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders


(As crianças sempre nos surpreendem com sua confiança nos pais e nos adultos).

Chegou-nos certa manhã, uma menina, de aproximadamente seis anos, vitima de acidente em escola:
- “A porta foi fechada por um de seus amiguinhos e pegou seu dedo”, contou a professora que a acompanhava.
Descobrimos a mão que estava enrolada em panos limpos, esperando encontrar um corte, mas o que encontramos não foi muito agradável: amputação de falanges (ponta de dedo) do dedo médio e anular.
A criança olhava tudo que fazíamos, e não houve como esconder os toquinhos de dedo que restaram. Mas a corajosa menina não chorava enquanto limpávamos, só observava.
Chega a mãe, que havia sido chamada pela própria professora, e esta, ao ver o que havia acontecido, desmaia.  Chamamos um colega para atender a mãe até que esta estivesse consciente novamente.
Criança avaliada pelo plantonista, chamado ortopedista para decidir o que fazer.
Ao chegar e avaliar a lesão, o ortopedista conversa com a mãe já acordada e chorando, explica a situação dos dedinhos da criança e tratamento a ser adotado e solicita que a criança seja encaminhada ao bloco cirúrgico para fazer um “coto”, pois não havia como reimplantar o pedaço cortado (que a professora havia guardado em um saquinho plástico).
A mãe acompanha a saída da maca com a criança já de camisola, que conversa conosco. E esta, vendo a mãe chorando, fala tranquilamente:
- “Mãezinha, não chora não, a professora disse que meu dedinho vai crescer novamente”, e estica, sorrindo, a mãozinha enfaixada para a mãe.

Trauma Raquimedular

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trauma de Medula  ??
Enfª  Ana Eugênia Loyolla Hollanders

Onze horas da manhã, sábado, corpo de bombeiros na entrada do pronto socorro, maca sendo encaminhada para a sala de emergência.
Vou atendê-los, já recebendo relatório do caso:
- Trata-se de homem, aproximadamente 38 anos, encontrado caído em via pública, sem comunicar-se ou mover-se desde o momento do chamado. Respiração espontânea, pulsos mantidos, boa oxigenação. Segundo transeuntes, é conhecido nos arredores de onde foi encontrado, onde  várias vezes necessita auxilio por apresentar-se embriagado. Há suspeita de lesão medular, pois apresenta priapismo (ereção continua) desde avaliação inicial. Não percebemos qualquer outro problema...
Direcionamos nossos olhares para a região de entre pernas e realmente havia “grande volume” e o local encontrava-se  ainda úmido por presença de diurese (urina) na roupa.

Coma

domingo, 15 de janeiro de 2012

Coma
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders


Daniel, 15 anos. Chega a nossa UTI em plena terça-feira de Carnaval (1993 ou 1994, não lembro bem).
Conta que no sábado anterior estava a cheirar um “loló” com seus amigos e sem mais nem menos, passou a não sentir mais os pés. Os dois pés. Não conseguiu andar, caiu.
Foi levado então por seus companheiros de aventuras ao Pronto Socorro, onde foram feitos alguns exames, mas nada foi detectado. Depois de algumas horas tomando soro, mantendo a mesma sensação de não sentir os pés, foi reavaliado e com orientação para observar se os sintomas continuariam, foi liberado. Em cadeira de rodas, voltou para sua casa.
Domingo de Carnaval, em casa, não movia os pés e nem sentia a parte inferior da perna... Como contar a sua mãe ou seu pai sobre o “loló”? Chamou os amigos, que o ajudaram a sair da cama e foram para a rua, nada de sentir as pernas... Nem volta para casa, dorme na casa de um dos colegas, mal fecha os olhos de medo, não sabe o que está acontecendo.
E assim continuou, piorando, a insensibilidade subindo...

Essa é de matar ...

sábado, 14 de janeiro de 2012

Essa é de matar...
Enfª Ana Eugenia Loyolla Hollanders


Começo meu plantão no inicio da manhã, sete horas, sempre com muito sono. Durmo pouco durante a noite. Logo temos a primeira correria, paciente não respirando satisfatoriamente, pego no tranco e tenho que trabalhar de verdade.
Punção venosa, soro, exames, sedação para entubação, preparar respirador, material para entubar pronto, aspirador na mão, tubo na mão do médico, procedimentos realizados, administradas medicações, respirador funcionando bem, paciente controlado.
Parece fácil, mas até que a estabilidade fosse alcançada levamos quase duas horas.
Saí da sala de urgência para procurar vaga em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tentar transferi-lo, (lá se foram mais 2 horas – cadastro, telefone, mais telefone, alterar cadastro, colocar exames...) Opssss, corra, outra urgência: criança queimada.
Mais uma hora até atender, preparar e encaminhá-la ao bloco cirúrgico.
Volta ao pronto socorro e já corro com a maca até a recepção, pois os bombeiros estão com acidentado na viatura e a outra maca está com paciente aparentemente desmaiada, sendo avaliada pelo médico em uma das salas de observação.
Nada grave: paciente apresentando fraturas. Feita avaliação clinica, sem outras alterações, tranqüilo. Tenho agora que localizar o ortopedista e acalmar a família que não entende o plantão á distância.
Aproveito e vejo como está o paciente da sala de urgência para adicionar mais informações (evolução) no sistema para tentar novamente vaga para fora, pois no município não há leitos disponíveis. Novos exames solicitados... Colho os exames... São duas horas da tarde, vou tentar almoçar.
Entrando novamente no plantão após meia hora de pausa, ajudo a levar a maca com paciente supostamente “desmaiada” após avaliação e reavaliação médica para a enfermaria, pois esta não quer acordar embora tenha todos os reflexos mantidos e nenhuma outra alteração detectada. Instalo um soro para manter veia (bem lento!) e saio do quarto.
Atendo alguns pacientes e acompanhantes no corredor, preencho alguns papéis, controlo os débitos nas fichas de medicação, organizo a reposição de medicamentos e  materiais,  e sigo a conferir o sistema (SUSFacil) varias vezes para ver a chance de vaga na UTI. Telefone toca...

Baleado

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Baleado ?
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders

Acudam, ajudem, corram... meu colega deu um tiro no pescoço...
Estes gritos se fizeram ouvir em plena recepção do pronto socorro feitos por vozes jovens que adentravam nosso setor de trabalho,  sugerindo que estavam atormentados pela angustia... desespero ...preocupação. Portas se abriam, maca era levada para a porta de entrada...
Corremos a preparar a sala destinada a receber o paciente, enquanto passavam pelas nossas mentes os mais variados quadros de urgência que iríamos atender: soros, compressas para deter sangramentos, material para respiração artificial (ventilação mecânica), e rapidamente estava tudo pronto, equipe com luvas nas mãos. Mas, o paciente não chega...
Mais pensamentos nos inquietam e alguns nem tão otimistas:
- Será que não deu tempo...

Não desmereçam as fábulas, mas...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

(Aplicação da Fábula “Pedro e o Lobo” na Saúde)

Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders

  Ouvimos o som de sirene e ambulância parando na rampa de atendimento do Pronto Socorro, e a seguir,  acionado código de urgência para equipe do Pronto Socorro,  era nosso plantão...
Maca na porta, funcionários para auxiliar retirar paciente, mobilizamos vários componentes da equipe para o atendimento: médico, enfermeiro,  técnicos em enfermagem, recepcionista, auxiliar de maca... um paciente que, ao ser retirado da ambulância, estava em franca  crise convulsiva.
Leva-se rapidamente a paciente, mulher jovem, para a sala de urgência, feita transferência para a maca fixa, mantemos sua cabeça voltada para o lado e a protegemos para evitar lesões, preparamos material para puncionar veia, instalar soro para manter acesso venoso e possibilitar administração de medicação,  oxigenação, aspiração...
Sendo feita avaliação médica, paciente aparentemente em crise convulsiva prolongada... inconsciente, contorcendo-se, debatendo-se, boca travada e cheia de saliva , discreta cor azulada ( cianose) em lábios.
Ao comando médico de medicação venosa para cessar a crise, garrote no braço, iniciamos a punção venosa (pegar veia) para administrar a medicação e ... imediatamente, a crise naquele braço cessa...

Livre Arbítrio ?

domingo, 8 de janeiro de 2012

Livre Arbítrio ?



Enfª  Ana Eugênia Loyolla Hollanders

Estava de plantão numa certa noite quando fui chamada por uma das funcionárias de uma  unidades de internação pois,  uma senhora estava passando muito mal e não queria que fosse chamado o médico. Subi ao andar para avaliar a situação...
(Trabalhando em hospitais muitas vezes temos a vida de uma pessoa em nossas mãos, cabendo a nós, da enfermagem, avaliar alterações e tomar  decisões a tempo de salvar  este paciente sob nossos cuidados. Chamar o médico para atender uma intercorrência é fundamental e temos que ter firmeza da necessidade deste chamado, pois muitas vezes solicitamos o plantonista do local de urgências - pronto socorro- para atender nas enfermarias, ficando este descoberto.)
Fui ao quarto desta paciente:  senhora  bem idosa,  rosto marcado pelas muitas dificuldades da vida, face tranqüila, olhos abertos  e serenos, custando respirar, mas  a encontro com um belo sorriso em seus lábios ( já um pouco cianótico  - azulado pela falta de ar), oxigênio sendo administrado em um cateter (tubo) nasal . Pego em sua mão fria, emagrecida, veias aparecendo, tendo um soro ali instalado e converso com ela:
- Boa noite, o que a senhora está sentindo ?
Com frases entrecortadas pela falta de ar, ela responde baixinho:
-Minha filha, não estou nada bem, sei disso, mas não quero que chamem o médico.

Urgência, cólicas...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012


Urgência, cólicas...
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders

Quatro e meia da tarde, domingo,  urgência... Mulher jovem, obesa,  com cólica abdominal  há mais de 8 horas e piorando, abaixando-se ao andar...
Foi colocada deitada no leito, avaliamos sinais vitais ( pressão, pulso, respiração, temperatura), abdome extremamente endurecido. Dores piorando drasticamente, mal  permite que seja avaliada sua barriga. Chamem o médico...
Questionamos queixa inicial e a menina somente refere ter engordado muito nos últimos meses e que há pouco tempo as dores apareceram, esporádicas, vinham algumas vezes e sumiam. Pioraram nos últimos dias e hoje, dói muito. Nunca teve isso antes.
Plantonista chega, paciente mais calma, deixa avaliar sua barriga, que ... Mexe , chuta!
Preparar para  o parto pois a bolsa acaba de romper e a criança vai nascer, a dor... vai acabar  !!  Chamem o Pediatra.
Um grito,  corre daqui, outro grito , corre dali, pega um material, outro, mesa  pronta,  luva na mão, aspirador, pediatra chegando. Atenção, criança nascendo. Apareceu... O choro da vida... nasceu...menina... perfeita. Pediatra na sala. Mãe e criança bem. Parto mais que normal, todos felizes. Começamos a organizar a sala, mas... as dores voltaram...

Parada ...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Parada ...
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders

Por volta das 14 horas, chega uma turma de jovens, com pouca roupa, diga-se de passagem, solicitando atendimento de urgência pois um de seus colegas havia passado mal, culminando numa parada respiratória no clube...
Aguardávamos a urgência chegar, mas esta estava demorando e os garotos  continuavam agitados na porta do pronto socorro e recepção questionando a demora do atendimento.
Afinal, fomos chamados pela nossa recepcionista ( que era naquele tempo, estudante de enfermagem) que tentou esclarecer a situação:
- Vocês não vão atender a parada?
Respondemos que estávamos aguardando a chegada do paciente em parada, com a sala de urgência já montada.
- Mas o menino que parou está na recepção...

Acontece cada uma...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Acontece cada uma...

Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders


Numa manhã, de plantão em um Pronto Socorro  de grande movimento,  que estava estranhamente tranqüilo, sem urgências, sem correrias, mas mesmo assim todos trabalhando e ainda contando com o apoio de estudantes de medicina, enfermagem, técnico em enfermagem e outros em seus estágios.
Normalmente, os estágios acontecem de forma segura, organizada, com a supervisão de profissionais responsáveis por pequenos grupos de alunos. Neste dia, estava em estágio uma turma de acadêmicos de enfermagem, iniciando a parte técnica, fundamentos de enfermagem, na sala de medicação.
De repente, uma das colegas de serviço chama nossa atenção para a sala de preparo de medicamentos pois algo estranho ocorria ali. Saímos da sala e café e dirigimo-nos para o local.
Ficamos parados na porta da referida sala, observando o movimento de vários estagiários que preparavam uma quantidade enorme de ampolas  – 80 ampolas enfileiradas, como um exército, em grupos de 20 unidades e  ainda sendo conferidas.
Um contava, outro quebrava ampolas e outro ainda,  aspirava o conteúdo destas, sob o olhar severo da supervisora responsável.
Irresistível não interferir...

Insônia

sábado, 26 de novembro de 2011

   Insônia
Ana Eugênia Loyolla Hollanders
Enfermeira


Estávamos de plantão, no Pronto Atendimento, numa bela e quente noite de sexta-feira.
Noite maravilhosa. Céu sem nuvens, lua como grande luminária a enfeitar o espaço pontilhado de estrelas.
Pensávamos que seria tranquila.
Ledo engano...  Acidentes e mais acidentes começaram a movimentar nossa jornada. Acidentes graves, com vários feridos, onde toda equipe se desdobrava na tarefa de atender a todos com rapidez e eficiência, com sincronismo, para garantir o sucesso de nossa luta pelo bem maior: o milagre da vida.
Soros, suturas, curativos, punções, massagem cardíaca e mais massagem cardíaca, corre aqui e  ali  a cada momento. 
Nossa noite foi passando rapidamente, sem um momento sequer para descanso.
Por volta das quatro horas da manhã, ainda lutando em uma reanimação cardíaca de um jovem traumatizado, eis que a porta da sala de urgência é aberta por uma senhora que solicita atendimento urgente.

PALAVRAS FINAIS

Que bons ventos te tragam sempre...
e que bons ventos te levem...

mais leve, feliz,

tranquilo e

em paz!

Grande abraço!

Ana Eugênia


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