Ana Eugênia Loyolla Hollanders. Tecnologia do Blogger.

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CONSIDERADO MORTO, HOJE VIVE E É FELIZ

sábado, 30 de junho de 2012


                                                                          Avenor A. Montandon

Quando iniciamos o primeiro contato com os doentes graves que acabavam de chegar ao hospital, notamos um deles com grandes fraturas na face, mas que no entanto, não apresentava quadro clínico que merecesse uma interferência imediata ou uma atenção especial por parte dos médicos que atendiam. Seus companheiros à morte, careciam de nossa rápida dedicação.
Saíamos de uma cirurgia, quando deparamos com o dantesco quadro. Aquele doente enfrentava a morte frente a frente. Havia aspirado sangue, sentia-se asfixiado e, em pouco tempo, seu coração não mais batia. Deixava de haver movimentos respiratórios.
Não fosse a violenta intervenção aplicada: a abertura da traquéia com simples tesoura, massagem cardíaca e afinal, reanimação cardio-respiratória, não teríamos hoje a oportunidade de conversar alegremente com o senhor João Ribeiro.

Amor ...

terça-feira, 12 de junho de 2012


Amor



Sentimento estranho esse,

Respeito ao profissional

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Enfª Ana Eugênia L. Hollanders Moura

Certa época trabalhei em cidade pequena e viajava três vezes por semana para coordenar o serviço de enfermagem desta cidade.
Não só coordenava, mas atendia em curativos, urgências, partos, pequenas cirurgias, puncionava  veias, passava sondas, enfim, cuidados de enfermagem.
Certo dia, ao descer do onibus,  já me aguardavam na estrada. Logo pensei:  urgência no hospital...
O condutor do carro não sabia informar nada de urgência ( cidade pequena, quando acontece alguma coisa grave, todos sabem), fiquei mais tranquila, embora urgência seja algo que me agrade.
Ao entrar no hospital, logo fui encaminhada a sala de cuidados, pois o médico  de plantão me aguardava com um paciente para procedimento.
Ao aproximar-me da referida sala, ouvi gemidos e choros de homem. Entrei, e encontrei o plantonista sentado e um senhor deitado na maca, coberto por lençol, chorando de dor.  Médico logo esclareceu:
- Este paciente chegou a cerca de três horas com dor abdominal intensa, referindo não estar urinando há dois dias e apresenta realmente, grande distensão vesical (bexigoma), fizemos varias tentativas de sondagem, sem sucesso. Como você estava para chegar, estamos esperando para ver se consegue.

Estágios... sempre surpresas ...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

  Ana Eugênia Loyolla Hollanders Moura
 
Certo dia, absurdamente tranquilo, estavamos sentados na recepção do Pronto Socorro conversando e aproveitando para observar as pessoas que se encontravam aguardando chamado para consulta médica. Sempre, nestes momentos, tentamos imaginar o motivo de cada pessoa ali, pois alguns estão batendo altos papos, outros namorando, outros cantarolando ou só observando-nos com cara de desaprovação, poucos com face de dor ou de mal estar.
Nesta tarde, estavamos com equipe completa e acrescentada com estagiárias de enfermagem e instrutora, que no momento, por não haver qualquer paciente grave, estavam na sala de medicação, atendendo a demandas das consultas de rotina .
Quando ocorrem estágios de enfermagem, a supervisão destes é sempre feita por profissional enfermeiro(a) designado pela instituição de ensino a que pertencem, mas cabe a enfermeira do setor (instituição cedente) a responsabilidade pelos atos da equipe de enfermagem e estagiarios e, quando acontecem problemas ou na suspeita destes, somos acionadas pelos demais profissionais para saná-los.
Assim sendo, fui solicitada por um de meus funcionários com a seguinte frase:
- "Vai lá ver o que está acontecendo, você nem vai acreditar..."
Mais por curiosidade que por urgência do pedido, fui à sala da medicação.
Chegando lá, encontro a instrutora dos alunos, com uma agulha calibrosa em um frasco de medicação, muito brava, reclamando para seus alunos que não conseguia aspirar o conteudo deste.
Fiquei a observar alguns instantes, sem acreditar no que via e junto comigo, várias funcionárias do setor. Olhavamos umas para as outras sem saber se riamos, se choravamos....

 A instrutora tentava, compulsivamente, aspirar o pó contido no frasco, e optei por aproximar-me desta e  perguntei, baixo e calmamente:

Engasgo

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


Engasgo
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders


Uma tarde das mais tranquilas, em instituição de cuidados a idosos, durante horário de lanche, estavam servindo pãozinho e após bananas, que eram de preferencia da maioria deles.
Entre conversas e brigas dos internos, por mais uma dessa iguaria, fomos chamados ás pressas, pois uma das moradoras estava engasgada.
Corremos, pois a maior parte de nossos internos apresentava problemas psiquiátricos, além da idade avançada, e engasgo tornava-se constantemente urgência.
Encontramos uma das senhoras, discretamente roxa (cianótica), com respiração ruidosa, já confusa (pela carência de oxigenação).
Solicitamos que esta (apesar da pouca compreensão), nos ajudasse com a manobra (Manobra de Heimlich) para desengasgar, quando vem um dos outros profissionais de saúde, gritando :
- “Levanta o braço, levanta o braço...”
Continuamos tentando fazer a manobra, mas a paciente estava muito roxa, e já começando a perder os sentidos, e a outra profissional gritando e tentando puxar o braço da paciente.
Solicitamos uma ambulância, ao então serviço de urgência da cidade, deitamos a paciente e tentamos fazer o possível para melhorar sua respiração, mas a colega da equipe  insistia em solicitar que levantássemos o braço, pois o que desceu errado, voltaria para trás...
Chega a Dra responsável pela instituição e com a paciente já deitada, realiza a entubação traqueal...
Iniciamos a ventilação até a chegada da ambulância e esta foi conduzida ao Pronto Socorro, e depois sendo necessária a internação, onde permaneceu algum tempo.
Quando retornamos a instituição, após deixar a paciente no hospital, nossa colega, de forma agressiva, vem tirar satisfações, alegando que se tivéssemos levantado o braço da paciente, nada disso teria acontecido, pois São Brás teria ajudado, e não é que, de tanto nervosismo e agitação, esta engasga-se também...
Tentamos ajuda-la, conforme ela mesma solicitava muito agitada, levantando-lhe os braços, mas de nada adiantava... Continuava a piorar ...
Após alguns instante, com esta colega já ficando cianótica, um de nossos colegas da enfermagem, homem forte e grande, pega a funcionária engasgada por trás e faz  a manobra (Heimlich), e qual não é nossa surpresa ao ver a saída de uma bala de goma ( tipo jujuba) a ser expelida com a compressão.

Depois de recuperada, ela procura-nos e, ainda agitada, agradece:
-“Pois é colegas, obrigada pela ajuda, acho que minha fé não anda lá essas coisas...”
Acontece...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

  Opções

 

Saber quais as opções seguir no decorrer de uma existência, é um constante exercício de percepção e instinto que são graduados e colocados à prova na medida em que o tempo vai passando.
As experiências que vivenciamos nos trouxeram até aqui,  e são frutos das opções que escolhemos e das que, por algum motivo, deixamos de escolher.
Você já parou para pensar nas possibilidades que existem para mudar tudo o que está a sua volta?

Confiança

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Confiança
Enfª Ana Eugênia Loyolla Hollanders


(As crianças sempre nos surpreendem com sua confiança nos pais e nos adultos).

Chegou-nos certa manhã, uma menina, de aproximadamente seis anos, vitima de acidente em escola:
- “A porta foi fechada por um de seus amiguinhos e pegou seu dedo”, contou a professora que a acompanhava.
Descobrimos a mão que estava enrolada em panos limpos, esperando encontrar um corte, mas o que encontramos não foi muito agradável: amputação de falanges (ponta de dedo) do dedo médio e anular.
A criança olhava tudo que fazíamos, e não houve como esconder os toquinhos de dedo que restaram. Mas a corajosa menina não chorava enquanto limpávamos, só observava.
Chega a mãe, que havia sido chamada pela própria professora, e esta, ao ver o que havia acontecido, desmaia.  Chamamos um colega para atender a mãe até que esta estivesse consciente novamente.
Criança avaliada pelo plantonista, chamado ortopedista para decidir o que fazer.
Ao chegar e avaliar a lesão, o ortopedista conversa com a mãe já acordada e chorando, explica a situação dos dedinhos da criança e tratamento a ser adotado e solicita que a criança seja encaminhada ao bloco cirúrgico para fazer um “coto”, pois não havia como reimplantar o pedaço cortado (que a professora havia guardado em um saquinho plástico).
A mãe acompanha a saída da maca com a criança já de camisola, que conversa conosco. E esta, vendo a mãe chorando, fala tranquilamente:
- “Mãezinha, não chora não, a professora disse que meu dedinho vai crescer novamente”, e estica, sorrindo, a mãozinha enfaixada para a mãe.

'Ser invisível'

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Hoje iria postar nova crônica, quando recebi no Facebook este depoimento, e achei-o muito importante:

 'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social. ( Plínio Delphino, Diário de São Paulo).

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão', diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.

PALAVRAS FINAIS

Que bons ventos te tragam sempre...
e que bons ventos te levem...

mais leve, feliz,

tranquilo e

em paz!

Grande abraço!

Ana Eugênia


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